O Eco das Coisas Boas
Para quem vive de dar notícias, o novo é sempre o que brilha.
O que passou perde cor, perde espaço, perde voz.
Mas eu não consigo, nem quero, viver assim.
Há páginas que não se viram à pressa.
Há memórias que não se descartam como papel usado.
O que ficou para trás não é apenas passado: é matéria-prima.
São os erros que nos ensinaram a caminhar com mais cuidado,
e os instantes felizes que, mesmo breves, deixam um lume aceso dentro de nós.
Guardamos esses momentos como quem guarda pão para o inverno
— não por nostalgia, mas por sabedoria.
Porque a vida não é feita só de novidades. É feita de camadas.
E, quando os dias menos positivos chegam,
é muitas vezes no que já vivemos que encontramos o sustento que nos falta:
uma palavra antiga, um gesto que ficou, um sorriso que ainda ilumina.
O novo move-nos, sim.
Mas é o velho (o vivido) que nos sustém.
E talvez a verdadeira arte esteja em não escolher entre um e outro,
mas em aprender a caminhar com ambos:
o passo que avança
e a memória que acompanha.
Abraços fraternais
Tony de Araújo
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